Sindicatos representantes dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa acusam a administração de pretender destruir a empresa, mas afirmam-se disponíveis para "afastar o conflito" que tem motivado greves sucessivas.
| foto RICARDO GONÇALVES / GLOBAL IMAGENS |
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Quatro sindicatos dirigiram, esta quarta-feira, uma carta aos funcionários do Metro, em resposta à mensagem enviada aos trabalhadores pelo presidente do conselho de administração, Silva Rodrigues, na segunda-feira, véspera da realização da segunda de uma série de três greves parciais.
Na carta, o administrador apelava aos trabalhadores para que ponderassem e decidissem como podem contribuir para a sustentabilidade e futuro da empresa, defendendo que "não é aceitável persistir-se em reivindicações" a que é impossível responder, já que a empresa está obrigada a "medidas de contenção" impostas ao setor empresarial público.
Silva Rodrigues afirmava que as condições de
trabalho na empresa "são muito superiores às da grande maioria dos portugueses", sublinhando que, "num momento de tanta adversidade, não é aceitável persistir-se em reivindicações a que não é possível dar resposta, perturbando o normal funcionamento da empresa, o que, além de causar elevados danos, agrava, ainda mais, as dificuldades" dos cidadãos.
Na resposta, os sindicatos lembram que os trabalhadores "conhecem e sentem a realidade socioeconómica do país, quando recebem o seu salário com os cortes que lhes são impostos".
Os trabalhadores do Metro não exigem aumentos salariais e "continuam a dar o seu melhor pela empresa", que nos últimos seis anos tem sido considerada "como o melhor operador de transporte público" da capital, acrescentam.
"Por onde andava o senhor presidente? Os trabalhadores estavam cá e com disposição total para construir. Este senhor também para cá veio, mas com uma missão totalmente diferente - a de destruir", acusam os sindicatos.
Na mensagem hoje divulgada, repudiam o que dizem ser "falsidades" da administração, nomeadamente quando esta diz que os sindicatos não querem "de facto, com realismo, construir entendimentos".
"Quem não quer construir qualquer entendimento é o conselho de administração, não marcando qualquer reunião com as organizações representativas dos trabalhadores, mantendo uma estratégia de confronta e prepotência, numa postura de 'eu quero, eu posso, eu mando'", criticam.
Os trabalhadores afirmam, no entanto, a sua "total disponibilidade para - caso o conselho de administração o queira - afastar o conflito, mantendo a empresa como pública em defesa da mobilidade da população em Lisboa".
A Lusa tentou obter uma reação por parte da administração do Metro, mas tal não foi possível.
Está prevista uma nova greve na próxima terça-feira, das 06:00 às 10:00, seguindo-se um plenário geral dos trabalhadores.
O comunicado é subscrito pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, pelo Sindicato dos Trabalhadores da Tração do Metropolitano de Lisboa, pelo Sindicato da Manutenção do Metro e pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Afins.
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